sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Saga de Dublin – A Procura de um Ônibus entre Cracóvia e Budapeste

Payday. Nada disso que vocês estão pensando, era dia de nós pagarmos aluguel e internet, sem falar na conta de luz que chegou, o equivalente a 200 e poucos reais. Ta até bom, para um casa com 5 onde temos que ligar o aquecedor de água todo dia.

Tadeu foi pagar as contas, após eu receber o dinheiro com toda a trupe. Se não pagássemos hoje o aluguel perderíamos nosso depósito de 1200 euros, impossível não pagar.

Enquanto o Tadeu foi lá, o Alex fez um macarrão com camarão aqui em casa, delicioso, mas o Bruno não gostou, o que fez com que eu comece a parte dele para não desperdiçar comida.

Após o bom almoço era hora de começar a missão quase impossível, montar uma tabela com custos da viagem para o leste europeu. E assim fizemos, eu, Larrisa e Victor, sentamos e começamos a saga atrás de passagens aéreas, de ônibus e hostels.

Definimos uma rota e faremos uma coisa meio louco para poupar cerca de 60 euros, vamos em vôos indiretos, apesar de Dublin ter vôo para Berlim e Cracóvia, nossas cidades de início e fim da viagem, respectivamente. Decidimos ir com um vôo para Oslo na Noruega, depois lá pegar um vôo para Cracóvia na Polônia e na volta, pegar um vôo de Berlim na Alemanha para Estocolmo na Suécia e depois de lá para Dublin.

A boa notícia da noite foi, meu irmão está quase certo de vir me visitar e fazer esse mochilão comigo. Passaremos por 8 países em 16 dias, sendo que 2 nós só passaremos mesmo, só para pegar avião. Começaremos por Cracóvia, depois Budapeste, Bratislava, Viena, Praga e por fim Berlim.

Tudo estava bem, estávamos fazendo bem o planejamento quando chegamos ao grande problema, um ônibus ou trem que conectasse Cracóvia a Budapeste no dia que precisávamos e em um valor acessível. Gastamos toda a tarde e nada, foi aí que de noite a Larissa me chamou no MSN e disse que havia achado.

Feito isso só faltava ver alguns hostels que já tínhamos dado uma olhada. Separamos os mesmos e procuramos um novo para Berlim já que o Circus estava lotado. Domingo é o dia D, fecharemos e pagaremos tudo, e que Deus abençoe nossa viagem.

Agora a noite todos saíram e eu fiquei em casa sozinho, não estava bem hoje, sentia um vazio grande, afinal andei sonhando com minha casa, meus amigos. Mas revendo tudo eu descobri que O importante é notar que até o vazio de dentro é um vasto espaço cheio de saudade e bons sentimentos.

Igor Reis Moreira Mathias

Aprendendo a Ambigüidade do meu ser

Morar fora de casa é uma novidade para mim. Depois de morar a vida inteira com a mamãe e o papai, sair de casa para morar sozinho em um país diferente tem sido uma grande experiência.

Aprender a ter mais paciência, a pensar antes de falar, a agir por conta própria, ser um pouco mais egoísta, um pouco mais solidário, aprender a fazer jus aquela velha expressão, “os incomodados que se mudem”, aprender a cozinhar melhor, lavar, passar, enfim, aprender. Isso é bom, afinal aqui eu vim para isso, para aprender, mais do que viajar, conhecer novas pessoas e lugares, aprender um novo idioma, aprender certas coisas da vida, aprender sobre diversas culturas, enfim, aprender a aprender.

Acho que uma das coisas mais difíceis aqui é o fato de morar com amigos, pois apesar de você ter liberdade para falar, você tem medo de estragar tudo aquilo que você demorou a construir.

Logicamente não é nada fácil certas vezes em que você simplesmente tem que compartilhar aquela música indesejada ou ver aquela sujeira que alguém deixou. Certas vezes o jeito é se isolar no seu quarto, se tornando um prisioneiro dentro de sua própria casa, afinal é essa prisão que te liberta, te da sossego, te acalma.

Agora como é difícil ficar longe das pessoas queridas, quantas vezes não sonhei com vocês, ou desejei que um de vocês tivesse ao meu lado para poder compartilhar aquele momento. Na vitória do meu time, naquele lugar lindo que conheci, aquele lugar que seu amigo sempre falou, aquela música que toca e parece ter sido feita exatamente para você e sua amiga, aquele jantar em um lugar romântico, enfim, inúmeras situações que seriam bem melhor com suas companhias aqui. Uma vez, em um certo lugar, eu não me contive e tive que ligar para casa e agradecer pela oportunidade que me foi concedida.

Esses dias me peguei sonhando que estava em casa, dormindo na minha cama, com meus cachorros, minha família, quando de repente eu acordei. Bateu um vazio, uma lágrima escorreu mas eu continuei, é um sonho se realizando e para isso eu sei que tenho que sofrer certas penalizações. Já sonhei que encontrava minha mãe, no mesmo dia que ela sonhou comigo, em algum lugar, realmente nossas almas se abraçaram.


É tão longe e tão perto ao mesmo tempo, ainda bem que existe a internet para podermos nos falar. E é por isso que sinto falta de meus cachorros, pois não consigo falar com eles e nem fazer aquele carinho.

Mas ao mesmo tempo, já acordei dias desesperado, pois havia sonhado que já era hora de voltar para casa e eu ainda não tinha feito tudo que queria. Sentimento ambíguo esse, amenizado pela certeza que de um dia eu volto, de um jeito ou de outro, para ser bem recebido por todos aqueles que me fazem sentir cheio e vazio ao mesmo tempo.

Igor Reis Moreira Mathias

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Saga de Dublin – Esportes Gaélicos

Hoje como eu disse no texto de ontem era dia de conhecer o centro de treinamento do São Paulo, que dizer Phoenix Park o lar de vários veadinhos selvagens aqui em Dublin. Mas como nessa cidade o tempo é mais volátil do que álcool na mão, após eu escrever o texto de ontem choveu e hoje de manhã também, o que nos impediu de conhecer o local.

Eu havia prometido não falar que eu tinha ido na aula ou não, mas hoje eu tenho que falar, afinal não é todo dia que se vai a aula e vê uma mulher pelada no prédio em frente a sua escola. E assim foi, eu bem lá assistindo aula, quando vejo uma mulher só de calcinha na janela e do nada ela levanta a persiana e fica com os peitos a mostra. Chamei o Ivan, que é da minha sala, para olhar mas ele não conseguiu ver, já que ela notou o que estava fazendo e foi colocar um roupão. Beleza, acabou a primeira aula e começou a segunda, estávamos sentando na cadeira e lá estava a mulher trocando de roupa com os peito de fora de novo, mas dessa vez com o Ivan conseguindo ver, não foi a melhor visão do mundo mas foi engraçado, afinal a janela dela da para um rua bem movimentada aqui.

Depois da aula fomos ao museu de esportes gaélicos, conhecer um pouco mais da história do Hurling e do Futebol Gaélico.

O museu fica localizado no terceiro maior estádio europeu, perdendo apenas para Wembley e para o Camp Nou, com uma simples diferença, os esportes que ali são praticados, são feitos por atletas amadores, que não ganham um real furado por representar seu condado.

O estádio é grande e bem moderno até, tem capacidade para cerca de 85 mil pessoas e as vezes abre exceções e sedia jogos de futebol, rugby e alguns shows. Quando a seleção brasileira jogou na Irlanda foi nesse estádio que enfrentaram os Irishs.

Conhecemos as regras, histórias, tradições e até mesmo foram contadas histórias do fatídico Bloody Sunday. Visitamos o gramado e por fim conhecemos um local onde os visitantes podem treinar chutar com a bola de futebol gaélico e jogar com o taco e bola de hurling. Eu me arrisquei no hurling e não fui tão bem sucedido mas foi interessante treinar.

Voltamos para casa e agora após o jantar de sobras da semana sair, era hora de escrever para vocês.

E já me despeço mas não sem antes agradecer àqueles que me alegraram o dia. Valewu flusão, sem a freguesia meus dias nunca seriam o mesmo.

SRN

Igor Reis Moreira Mathias

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Saga de Dublin – Série B Internacional

Mais um dia de escola, mas não um dia comum, mudaram nossa professora por 2 semanas eu acho e sinto falta dela, ela era muito mais motivante do que a outra.

No colégio combinamos de jogar bola a tarde, a principio seria em uma quadra do ladinho aqui de casa, mas quando chegamos lá tinha um cavalo amarrado no travessão e cheio de merda, literalmente.

Antes disso passamos na Grafton para comprar uma bola, olhamos várias, bolas fodas da Adidas e Nike por 13 inacreditáveis euros. Bolas que no Brasil chegam a custar 150 reais. Compramos uma da Umbro por 10 euros que era muito boa também.

Fomos encontrar a galera na escola para ir para um tal de Herbert Park, e lá fomos, 1h andando aqui de casa e chegamos no lugar, mas para nossa surpresa a quadra estava fechada e o cara que toma conta do lugar falou que não podia abrir e manteve a mesma resposta até para o nosso professor que é irlandês. E eu achando que o preconceito era com os brazucas.

Fomos jogar em um gramadão então, do lado de um pessoal que jogava uma espécie de Rugby com toalhas presas nas calças, muito louco.

Montamos um time de brasileiros contra resto do mundo, tá certo mais ou menos o resto do mundo, porque o time era um irlandês, nosso professor, Alex o italiano, Ivan o espanhol, Pierre o francês, eu e Yuri brasileiros.

Lógicamente, comigo no gol, jogando pior do que nunca, ganhamos por 11 a 9 com bela atuação do Pierre e Ivan, sem contar o Tim que não saia do ataque.

Voltamos para casa, mortos de cansado e adivinhem, descobrimos uma bela quadra a uns 5 minutos andando aqui de casa, depois de andar 1h eu acho uma quadra a 5 minutos de casa. Eu como gordo convicto que sou lógico que fiquei meio arrependido, mas até que a viagem até o parque valeu por conhecer mais um pedaço de Dublin e pela bela vista.

Agora vou lá tomar banho antes que a água quente acabe.

Amanhã pedaladas no Phoenix Park.

Bjundas

Igor Reis Moreira Mathias

A Saga de Dublin – Lojas de Caridade

Como já havia falado semana passada, as lojas de caridades aqui são bons lugares para comprar algumas coisas, principalmente roupas de frio que eu nunca usarei no Brasil.

E assim foi, rodamos novamente as lojas de caridade e achamos até algumas coisas interessantes, como uma camisa da seleção, zoada demais, mas por 2 euros e com o nome do Ronaldinho eu até comprava, problema que era M e os meninos não quiseram comprar, eu ainda achei uma bermuda da adidas por 4 euros, e acabei comprando.

Foi nessa loja que achamos alguns sobretudos. O problema é que uns sobretudos lá mais pareciam um carpete com braço ou então uma roupa de urso polar. Acabei desistindo provisoriamente deste acessório, acho que quando o frio piorar eu comprarei uns blazers e tals, até porque poderei usá-los no Brasil.

Só uma coisa ainda me deixa na dúvida, comprar ou não comprar uma camisa da seleção do Marrocos que vi numa loja dessas? Por 3.5 euros eu posso jogar a série B com uma camisa velha e diferente.

A noite foi dia de comer uma comida espanhola, não era Paella mas era gostoso, um pão com tomate e um tal de Jamon. Mas calma galera eu não comi o tomate e muito menos virei viado. Esse Jamon é um presunto cru defumado espanhol muito louco. Delicioso mas pena que acabo, o que ainda eram resquícios da visita dos pais do Ivan aqui no último fim de semana.

E agora vou nesse porque amanhã tem mais, quem sabe amanhã não rola a primeira série B nossa na Irlanda.

Abração

Igor Reis Moreira Mathias

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A Saga de Dublin – Dia de Sol no Parque

Acordei tarde, logo fui almoçar e para minha surpresa ainda havia um finalzinho de feijoada para eu arrematar. Esquentei com um arroz e mandei para dentro.

Sentei no sofá, pesquisei preços de passagens e coisas para se fazer no leste europeu. Depois resolvemos ir para o Merrion Park para curtir um sol e tocar um violão.

Lá fomos eu, Pierre e Alex, já que Bruno e Tadeu resolveram ficar em casa. Chegamos fomos ao centro do parque encontrar o pessoal. Logo sentamos e eu comecei a ler meu guia de viagem pela Europa e esperar o Yuri com o violão. Ele chegou, nós conversamos e cantamos algumas músicas e ficamos lá curtindo o lugar.

Até que é bonito lá, e até engraçado, tinha um tiozão sentado lá só de bermudinha curtindo aquele sol como se fosse uma praia.

Quando o vento começou a esfriar resolvemos levantar e ir embora para casa, afinal aqui venta muito gelado, Deus me livre.

Em casa resolvemos fazer compras, afinal era dia de encher a geladeira. Após as compras viemos para casa a espera do capeletti do Alex. Hoje seria capeletti de espinafre com ricota com molho vermelho, berinjela e bacon. Nem preciso dizer como ficou. Por fim estava eu dando uma de francês, já que em todas as refeições eles usam pão, raspando o fundo da panela com uma fatia de pão de forma.

Agora é sentar e esperar a digestão.

Abraços

Igor Reis Moreira Mathias

domingo, 1 de maio de 2011

A Saga de Dublin – Obrigado Vascão

O domingo começou como qualquer outro, meio despretensioso, sem prometer muito e com a diferença de que amanhã não teremos aula pois é feriado.

Acordamos, chamamos o pessoal e fomos acabar com a feijoada que ainda restava aqui em casa. O pessoal voltou aqui para acabar com um panelão que ainda restava, enquanto isso eu e Larissa víamos os preços de passagens para Berlim ou Cracóvia a fim de programar nossa viagem ao leste europeu.

Comemos, recomemos, acabamos com o arroz, fizemos mais e enfim acabamos com aquela tonelada e meia de feijoada que tinha aqui.

Sentamos e fiquei aqui sofrendo com as músicas eletrônicas que o Alex colocava para tocar, depois o povo fala que funk é ruim, as letras são ruins mas pelo menos tem letra. Essa bosta desse eletrônico dissolve seu cérebro e nem letra tem.

Cansei daquilo e fui arrumar umas coisas no quarto e esperar o jogo do Flamengo. Enfim chegou a hora e começamos a ver. Ligamos dois notes, e pegamos um cabo e conectamos um deles a TV para pelo menos ouvirmos o som.

Primeiro tempo complicado, segundo horroroso. Aliás o segundo foi pior, até porque um vascaíno apareceu aqui em casa, o medo de perder era pior. Engraçado até, tinham vários flamenguistas, torcedores dos times de São Paula, 1 tricolor, 1 vascaíno e nenhum botafoguense. Realmente agora cabe a nós descobrir quem será extinto primeiro, os botafoguenses ou as araras-azuis.

Fim de jogo e penalidades neles. Um note que estava ligado lá no canto acabou passando os pênaltis de Palmeiras e Corinthians, e acabamos ver o timeco indo para final.

E lá estávamos nós, morrendo aqui para ver o que daria, mas mais uma vez o eterno vice reconheceu seu lugar. Campeões Cariocas pela 32° vez e invictos. Comemorei, liguei para o Brasil e pedi que comemorassem mais por mim.

Agora eu só concordo com o que os vascaínos, botafoguenses e tricolores falam, afinal o freguês tem sempre razão.

Igor Reis Moreira Mathias